Onde Deus nos encontrou
Há histórias de amor que começam com um olhar.
A nossa começou com uma amizade.
Em 2014, nossos caminhos se cruzaram no Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar da Bahia. Éramos apenas amigos, cada um seguindo sua própria história, sem imaginar que, anos depois, estaríamos aqui, prestes a dizer um ao outro um “sim” para toda a vida.
Talvez nós ainda não soubéssemos.
Mas Deus sempre soube.
Nossa fé já nos aproximava naquela época. Thaíse costumava marcar encontros de toda a turma na Igreja do Bonfim para participarmos juntos da Missa. O curioso é que, apesar de o convite ser para todos, quase sempre quem aparecia era eu.
Ela marcava.
Eu comparecia.
Hoje, não conseguimos deixar de sorrir ao lembrar que talvez Deus já estivesse escrevendo nossa história enquanto nós ainda nem imaginávamos.
Os anos passaram, e a amizade permaneceu. Foi quando comecei a redescobrir minha fé que Deus colocou em nosso caminho pessoas que ajudaram a aproximar nossos corações. Entre elas, meu padrinho de Crisma, o frei Giovanni, teve um papel muito especial.
Vieram as saídas com amigos, as conversas e, pouco a pouco, uma nova proximidade.
Até que, em um forró na Igreja do Desterro, algo mudou dentro de mim.
Eu já não a olhava apenas como amiga.
Havia algo mais.
E, como se aquela noite ainda precisasse de um sinal, uma senhora que estava na festa disse que rezaria por nós dois, para que fôssemos felizes.
Nós ainda éramos apenas amigos.
Ou pelo menos era o que pensávamos.
Depois daquela noite, levei aquele sentimento para diante de Deus. Passei a rezar diante do Sacrário, no Santuário de Santa Dulce, pedindo que Ele me mostrasse se aquilo era amor e se aquele relacionamento fazia parte de Seus planos.
E, pouco a pouco, veio a paz.
Então criei coragem e a convidei para outro forró.
Dessa vez, somente nós dois.
Na madrugada de 25 de julho de 2022, ao me despedir dela na porta de seu apartamento, dentro do carro e ao som de Um Amor Puro, de Djavan, aconteceu nosso primeiro beijo.
Um instante simples, mas que mudou nossa história.
A partir dali, passamos a nos conhecer de uma nova maneira. Descobrimos que, além do carinho, compartilhávamos valores, fé e o mesmo sonho: construir uma família com Deus no centro.
Quando nossos colegas de profissão souberam que estávamos juntos, muitos se alegraram e disseram que nós combinávamos demais. Talvez eles também enxergassem algo que nós demoramos um pouco para perceber.
E então chegou o pedido.
Preparei um jantar, decorei a mesa, acendi velas e espalhei pétalas de rosas. Depois, dançamos enquanto eu esperava e rezava pelo momento certo.
Até que começou Pela Luz dos Olhos Teus.
Quando chegou o refrão — “que a luz dos olhos meus precisa se casar...” — eu soube que era a hora.
Ajoelhei-me, com as alianças nas mãos, e fiz o pedido.
Ela disse sim.
Hoje, olhando para trás, percebemos que nossa história foi sendo escrita aos poucos: nas Missas do Bonfim, nas amizades da Igreja, nas conversas, naquele forró, nas orações diante do Sacrário, em uma madrugada de julho e em tantos pequenos sinais que só agora conseguimos compreender.
Talvez nós só tenhamos percebido nossa história em 2022.
Mas Deus, acreditamos, já a conhecia desde o início.
E é por isso que, quando pensamos no futuro, não imaginamos apenas uma casa.
Imaginamos um lar.
Uma família alegre, com muitos filhos, muita fé, muitas risadas e uma mesa sempre cercada de pessoas que amamos.
Queremos envelhecer juntos, caminhar até Deus e continuar descobrindo um ao outro ao longo de toda a vida.
Porque aprendemos que o amor não foi apenas o lugar onde nós nos encontramos.
Foi o caminho pelo qual Deus nos conduziu um ao outro.
E agora, diante d'Ele, de nossas famílias e de todos que amamos, começamos o capítulo mais bonito da nossa história.
O capítulo que escreveremos juntos, por toda a vida.